segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

O desenho

A vida é um súbito que quando chega irradia o obscuro.
E quando vai precipitadamente, queima o desenho feito no papel que compõe uma família rabiscada com traços embaraçados, mas unindo perfeitamente as mãos do pai, da mãe, e do filho. A vida parecia uma ciranda sorrindo para os olhos coloridos cheios de esperança do menino riscando ao fundo do papel branco. Branco como a paz. Mas, sucumbida pela cor vermelha escarlate da violência brusca que roubava o seu pai, como se fosse uma borracha lhe apagando cruelmente, findando com a alegria envolvente dos trêmulos rabiscos feito do lápis colorido pelo menino no seu primeiro ímpeto em contato com o papel criando a família perfeita. E o estilete que cortava o seu lápis, quebrou o elo da ponta da grafita com a madeira que a segurava fortemente. Finalmente acabava com o desenho da tão sonhada família que o menino desejava. O pai não estava terminado naquele papel. A violência decidiu assim.

Um comentário:

Gerusa disse...

Rafinha, um prazer te conhecer também. Você (e o que escreve), mesmo antenado no mundo concreto, tem a luminosidade da juventude sadia. Continue. Nós, os mais velhos, precisamos de sua energia. Mas como lembrando algo que li no seu perfil no Orkut, se quiser saber o que vem pela frente, pergunte a quem já está voltando...rs
Beijos